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Mostrando postagens com o rótulo Para alguém

O lobo e a lua

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Sinto esquentar no peito. Me faz sorrir feito boba só de lembrar das suas besteiras. Coisas que em mim  dizem que você também gosta, que também quer. Que temos esse alento no meio da impossibilidade. Que há muito respeito, na medida que conseguimos. Que o esforço é absurdo, mas temos um ao outro, de algum modo. Que essa amizade é quase um amor mais puro, que nos protege desse desejo  que quase cega. E se eu tivesse uma máquina que movesse o tempo para um momento em que você estivesse ao meu alcance, eu não precisaria  te esperar. Mas não espero nada além de poder dizer: — Me escreve no livro da tua vida. Segura minha mão e anda comigo como o leão de Oz (coragem!) Essa sereia que canta quer te levar pro fundo do mar. Você me leva até a lua, mas toda noite vem me buscar. Mais perigoso, querido amigo, é esse lugar  onde eu me entrego inteira e você segue inteiro em si. Antes, eu te queria como quem acende um fósforo no escuro. Hoje, eu te guardo co...

Dele — ou Lua em Câncer

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Te escrevo num domingo de férias  Pra você que de tudo duvida — coração machucado e desconfiado, mas cheio de amor e fé — Pra te trazer um pouco de leveza na vida.  Um ogro fofo com jeito marrento, que tem mexido com meus instintos  e sentimentos. Amante da liberdade  e da adrenalina Me diz, com a voz arrastada: "Bom dia, pequena". Que uma hora dessas vai segurar na minha nuca, com força,  e tacar- me um beijo.  E que maldiz o dia  em que insistiu comigo brincar. Porque nossa conexão é forte, e, se passar uma noite comigo, não se acha mais. Seu olho negro tem sido minha sorte,  a situação viciante  que não dá pra negar. Sinto seu cheiro em qualquer rua, de qualquer cidade que eu ando. Já reconheço o barulho da sua moto, anunciando o estrago nos meus planos. Te mostro meu corpo, digo que te quero dentro. Te conto minhas regras de amor e deixo você chegar... perto. Me enche de perguntas  sobre o que eu gosto — quero, penso, sinto  pr...

Enganos

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Achei que nunca aconteceria de novo, que paixão fosse coisa juvenil, e agora era tempo de amor calmo, maduro (mas aconteceu). Achei que a idade me impediria, que tempos diferentes não se encaixam assim (mas o amor acha jeito). Achei que não teriam músicas, que não teria desejo, que não teriam lembranças, que, salvo outros perigos, o coração estaria a salvo (mas até o silêncio transborda). Achei que você me machucar facilitaria esquecer, pensar que você é alguém cruel, e tudo de oposto que meu coração enxergou (mas você me avisou). Achamos que não ter limitaria a dor, os momentos a superar, a intensidade de tudo (mas —   me — ignorar é fácil ...). Achei que nunca aconteceria de novo, que teria controle dos enganos, que um dia restariam apenas certezas — vãs (mas o coração não aprende nunca).

Esses prazeres violentos tem fins violentos

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Há dores que nos causam rachaduras fissuras fundas dentro do peito. Apagamos a luz pra ninguém ver Erguemos barreiras pra ninguém entrar Mas a luz acha jeito E, distraída no caos,  te vi como um portal,  me deixei iluminar. Que dores carrega Pra chegar até aqui e não se aninhar no meu peito? Não quero te prender  Visto que és sereia, leoa, medusa brilhante, filha das águas turvas, que escorres entre os dedos, mas nunca sem deixar marcas.  Esquece que o que mais me atrai é contemplar seu modo de ver o mundo, o espelho que eu encontro em ti? Também não suporto nada que me prenda, que me impeça de viver a vida. Passei o resto da manhã de hoje chorando.  Pensar que te causei algum mal-estar  está me corroendo de dor.  Pensar que você tentou — se abrir ou me responder — e eu devolvi com mágoa  porque falhei em te compreender.  Não conhecemos as dores uma da outra,  mas sinto a tua profundamente.

Carta à leoa

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Eu não vim domar o que em ti é fogo — só desejei dançar no calor dos teus passos felinos. Não pedi tua rendição, nem esperei abrigo. Quis só o espaço entre o toque, ser musa das suas palavras e o cuidadoso perigo. Sei da tua fome e da tua cautela, sei que és flor que arranha e protege, brilha e queima. Mas também sei:  não se escolhe a quem nos aquece quando o peito acende. Te quis assim — em seu habitat natural, feroz na tua ternura, destreza em cada verso. Sussurro: não fuja quando, mesmo dizendo que não, some — mas eu insisto (?) Eu sei que o amor queima, já amei muito nessa vida. Mas também sei do que cura. E às vezes, leoa, a ferida é só a pele se abrindo para um outro tipo de ternura. Não peço que fique — mentira. Mas que, se fores, vá sabendo: te vi.  Sem medo.

Sereia de fogo

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observo as linhas suaves debaixo do seu vestido sereia de fogo, hoje sonhei contigo, beijava seu corpo inteiro  seus seios, seu umbigo,  sua flor. acordei com seu gosto  de me tirar do eixo nesse desejo cúmplice  de trocarmos palavras e  doses homeopáticas de " cin" , me trazer de volta a poesia. mas o desejo não aceita censura seu olhar: farol que não orienta, desorienta a bússola tatuada no meu peito. porque seu dom é não caber em moldura, em norma, um mapa ao tesouro. seu dom é (en)cantar pro mundo. sereia  que queima  feito Shiva dançando  e eu, ardendo. 

Lau(del)ina

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Você me diz que não gosta do seu nome, Mas eu gosto tanto... Ina, minha menina, feito um sussurro de carinho, feito quem chama com doçura o que o mundo não aprendeu a acolher. Quando dizemos que o que aconteceu com a gente foi um encontro É porque não só não esperávamos,  mas porque nos fechamos No silêncio das dores, no intervalo entre o fim e o começo  de algo que parece ter vindo para curar. Minha companheira, que briga com o mundo, carrega-o nos ombros, como quem já segurou demais, mas comigo… se rende à calma, à pausa, ao afeto,  ao alento. Meu encontro, no momento exato em que precisei lembrar que ainda existia verdade no mundo. Minh’amor, você dorme no meu colo como se eu pudesse te proteger de tudo porque afinal é isso o amor: esse lugar onde enfim, podemos descansar.

Liberdade

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Você diz que sou minha  antes de ser sua E sempre pergunta  se sinto falta de algo. Eu digo que tenho tudo,  o que preciso neste momento e reafirmamos nosso compromisso  com a sinceridade e a verdade.  Porque liberdade é bancar o próprio desejo,  é ter a ética de não mentir para si mesma  nem para o outro  e é sob essa ética que escolh(emos) viver.  Amor, minha metade misturada,  sempre há um querer que é só seu,  que é só meu,  e é isso que nos sustenta na vida; Quando re- tomo o meu corpo, ressignifico minhas marcas, e inscrevo, em mim, como quero viver. Amor, minha metade de Platão,  meu encontro, ninguém pode ter mais direitos  sobre o seu corpo do que você mesma. Não se empresta uma vida, não se encaixa — apenas se com- partilha, para con -viver. Amor, não tema me perder:  depois que nos achamos,  viramos lar uma da outra.