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Mostrando postagens de junho, 2025

Carta à leoa

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Eu não vim domar o que em ti é fogo — só desejei dançar no calor dos teus passos felinos. Não pedi tua rendição, nem esperei abrigo. Quis só o espaço entre o toque, ser musa das suas palavras e o cuidadoso perigo. Sei da tua fome e da tua cautela, sei que és flor que arranha e protege, brilha e queima. Mas também sei:  não se escolhe a quem nos aquece quando o peito acende. Te quis assim — em seu habitat natural, feroz na tua ternura, destreza em cada verso. Sussurro: não fuja quando, mesmo dizendo que não, some — mas eu insisto (?) Eu sei que o amor queima, já amei muito nessa vida. Mas também sei do que cura. E às vezes, leoa, a ferida é só a pele se abrindo para um outro tipo de ternura. Não peço que fique — mentira. Mas que, se fores, vá sabendo: te vi.  Sem medo.

Quando a ausência não se despede

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ela não disse adeus nem ficou. apenas se recolheu no canto das mensagens, no canto da sala. respondeu com reticências, o que antes era vírgula e ponto de continuação — as nossas trocas. e eu, com o peito ainda entreaberto, preciso segurar o impulso de me aproximar de novo (porque insistir demais às vezes é se perder). carrego novamente a angústia, a culpa exagerada e obsessiva, mas serena da intensidade legítima de quem ofereceu verdade a quem escolheu a cautela à vida. há silêncio, sim, mas ele não apaga o que foi poesia, o que foi presença, o que fui eu — e tudo o que ela deixou em mim. agora me recolho também, não para negar o que sinto, mas para acolher a paz que preciso (apesar do saudoso gostinho do coração acelerado). e quem sabe, um dia, entre um café e um olhar, um intervalo entre as pontinhas dos dedos , ela perceba que o que partiu foi o que mais a via.

Sereia de fogo

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observo as linhas suaves debaixo do seu vestido sereia de fogo, hoje sonhei contigo, beijava seu corpo inteiro  seus seios, seu umbigo,  sua flor. acordei com seu gosto  de me tirar do eixo nesse desejo cúmplice  de trocarmos palavras e  doses homeopáticas de " cin" , me trazer de volta a poesia. mas o desejo não aceita censura seu olhar: farol que não orienta, desorienta a bússola tatuada no meu peito. porque seu dom é não caber em moldura, em norma, um mapa ao tesouro. seu dom é (en)cantar pro mundo. sereia  que queima  feito Shiva dançando  e eu, ardendo.