Enganos
Achei que nunca aconteceria de novo, que paixão fosse coisa juvenil, e agora era tempo de amor calmo, maduro (mas aconteceu). Achei que a idade me impediria, que tempos diferentes não se encaixam assim (mas o amor acha jeito). Achei que não teriam músicas, que não teria desejo, que não teriam lembranças, que, salvo outros perigos, o coração estaria a salvo (mas até o silêncio transborda). Achei que você me machucar facilitaria esquecer, pensar que você é alguém cruel, e tudo de oposto que meu coração enxergou (mas você me avisou). Achamos que não ter limitaria a dor, os momentos a superar, a intensidade de tudo (mas — me — ignorar é fácil ...). Achei que nunca aconteceria de novo, que teria controle dos enganos, que um dia restariam apenas certezas — vãs (mas o coração não aprende nunca).