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Enganos

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Achei que nunca aconteceria de novo, que paixão fosse coisa juvenil, e agora era tempo de amor calmo, maduro (mas aconteceu). Achei que a idade me impediria, que tempos diferentes não se encaixam assim (mas o amor acha jeito). Achei que não teriam músicas, que não teria desejo, que não teriam lembranças, que, salvo outros perigos, o coração estaria a salvo (mas até o silêncio transborda). Achei que você me machucar facilitaria esquecer, pensar que você é alguém cruel, e tudo de oposto que meu coração enxergou (mas você me avisou). Achamos que não ter limitaria a dor, os momentos a superar, a intensidade de tudo (mas —   me — ignorar é fácil ...). Achei que nunca aconteceria de novo, que teria controle dos enganos, que um dia restariam apenas certezas — vãs (mas o coração não aprende nunca).

Luto

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é só o luto da falta  do que poderia ter sido. vai passar, o que sequer aconteceu não deve durar (doer) tanto eu só luto para essas lágrimas caírem todas de uma vez.

Lau(del)ina

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Você me diz que não gosta do seu nome, Mas eu gosto tanto... Ina, minha menina, feito um sussurro de carinho, feito quem chama com doçura o que o mundo não aprendeu a acolher. Quando dizemos que o que aconteceu com a gente foi um encontro É porque não só não esperávamos,  mas porque nos fechamos No silêncio das dores, no intervalo entre o fim e o começo  de algo que parece ter vindo para curar. Minha companheira, que briga com o mundo, carrega-o nos ombros, como quem já segurou demais, mas comigo… se rende à calma, à pausa, ao afeto,  ao alento. Meu encontro, no momento exato em que precisei lembrar que ainda existia verdade no mundo. Minh’amor, você dorme no meu colo como se eu pudesse te proteger de tudo porque afinal é isso o amor: esse lugar onde enfim, podemos descansar.

Liberdade

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Você diz que sou minha  antes de ser sua E sempre pergunta  se sinto falta de algo. Eu digo que tenho tudo,  o que preciso neste momento e reafirmamos nosso compromisso  com a sinceridade e a verdade.  Porque liberdade é bancar o próprio desejo,  é ter a ética de não mentir para si mesma  nem para o outro  e é sob essa ética que escolh(emos) viver.  Amor, minha metade misturada,  sempre há um querer que é só seu,  que é só meu,  e é isso que nos sustenta na vida; Quando re- tomo o meu corpo, ressignifico minhas marcas, e inscrevo, em mim, como quero viver. Amor, minha metade de Platão,  meu encontro, ninguém pode ter mais direitos  sobre o seu corpo do que você mesma. Não se empresta uma vida, não se encaixa — apenas se com- partilha, para con -viver. Amor, não tema me perder:  depois que nos achamos,  viramos lar uma da outra.