Enganos


Achei que nunca aconteceria de novo,
que paixão fosse coisa juvenil,
e agora era tempo de amor calmo, maduro
(mas aconteceu).

Achei que a idade me impediria,
que tempos diferentes não se encaixam assim
(mas o amor acha jeito).

Achei que não teriam músicas,
que não teria desejo,
que não teriam lembranças,
que, salvo outros perigos,
o coração estaria a salvo
(mas até o silêncio transborda).

Achei que você me machucar facilitaria
esquecer, pensar que você é alguém cruel,
e tudo de oposto que meu coração enxergou
(mas você me avisou).

Achamos que não ter limitaria
a dor, os momentos a superar, a intensidade
de tudo
(mas —  me — ignorar é fácil...).

Achei que nunca aconteceria de novo,
que teria controle dos enganos,
que um dia restariam apenas certezas — vãs
(mas o coração não aprende nunca).

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