Esses prazeres violentos tem fins violentos
fissuras fundas dentro do peito.
Apagamos a luz pra ninguém ver
Erguemos barreiras pra ninguém entrar
Mas a luz acha jeito
E, distraída no caos,
te vi como um portal,
me deixei iluminar.
Que dores carrega
Pra chegar até aqui
e não se aninhar no meu peito?
Não quero te prender
Visto que és sereia, leoa, medusa brilhante,
filha das águas turvas,
que escorres entre os dedos,
mas nunca sem deixar marcas.
Esquece que o que mais me atrai
é contemplar seu modo de ver o mundo,
o espelho que eu encontro em ti?
Também não suporto nada que me prenda,
que me impeça de viver a vida.
Passei o resto da manhã de hoje chorando.
Pensar que te causei algum mal-estar
está me corroendo de dor.
Pensar que você tentou —
se abrir ou me responder —
e eu devolvi com mágoa
porque falhei em te compreender.
Não conhecemos as dores uma da outra,
mas sinto a tua profundamente.

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