Óleo de lavanda


Faz tempo que eu pensava 
que não existia mais gente como você.
E o engraçado é que te reconheci 
antes mesmo de te ver.
Era apenas uma voz macia, 
de cuidado puro, riso leve
e a foto de uma água-viva.

Eu vivo nas águas profundas 
Onde nem todo mundo consegue chegar.
Você é como um sol que mergulha e ilumina tudo,
"Brilha e queima" — você avisa. 

São tantas defesas que a gente se inventa,
menina, a cada dia que eu te vejo
Eu relembro de mim mesma, vivendo 
uma vida que nem essa que você fala
e que eu achava que já não existia mais.

Eu te falo sobre vulnerabilidade
sobre as palavras, as artes e a filosofia; 
sobre uma necessidade de se expressar, 
de entender e de colocar poesia em tudo.
E nós duas temos liberdade
tatuada na pele!

Você me mostra um pouquinho de você 
e eu fico querendo te dar um mundo —
feito à mão, com calma e intensidade
pintado à óleo, de lavanda.
Pra ver se você me mostra mais...
desse aí que você enxerga,
com esse olhar que atravessa,
com o toque que revela.

E com tantas entregas
a gente faria arte nesse encontro —
pele e palavra,
desejo e silêncio.

E se um dia, menina,
você me deixar chegar mais perto —
sem promessas nem roteiro,
talvez eu te diga menos com a boca
e você mais com os olhos sorrindo,
sobre essa reciprocidade desde o início,
dessas que não se explicam,
mas que insistem em existir
como se o tempo, distraído,
tivesse nos deixado se encontrar.



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