Carta à leoa


Eu não vim domar
o que em ti é fogo —
só desejei dançar no calor
dos teus passos felinos.

Não pedi tua rendição,
nem esperei abrigo.
Quis só o espaço entre o toque,
ser musa das suas palavras
e o cuidadoso perigo.

Sei da tua fome e da tua cautela,
sei que és flor que arranha e protege,
brilha e queima.
Mas também sei: 
não se escolhe a quem nos aquece
quando o peito acende.

Te quis assim —
em seu habitat natural,
feroz na tua ternura,
destreza em cada verso.
Sussurro: não fuja
quando, mesmo dizendo que não,
some —
mas eu insisto (?)

Eu sei que o amor queima,
já amei muito nessa vida.
Mas também sei do que cura.
E às vezes, leoa,
a ferida é só a pele se abrindo
para um outro tipo de ternura.

Não peço que fique — mentira.
Mas que, se fores,
vá sabendo:
te vi. 
Sem medo.

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