O lobo e a lua


Sinto esquentar no peito.
Me faz sorrir feito boba
só de lembrar das suas besteiras.

Coisas que em mim 
dizem que você também gosta,
que também quer.
Que temos esse alento
no meio da impossibilidade.

Que há muito respeito,
na medida que conseguimos.
Que o esforço é absurdo,
mas temos um ao outro,
de algum modo.

Que essa amizade é quase
um amor mais puro,
que nos protege
desse desejo 
que quase cega.

E se eu tivesse uma máquina
que movesse o tempo
para um momento
em que você estivesse
ao meu alcance,
eu não precisaria 
te esperar.

Mas não espero nada
além de poder dizer:
— Me escreve no livro da tua vida.
Segura minha mão
e anda comigo
como o leão de Oz (coragem!)

Essa sereia que canta
quer te levar pro fundo do mar.
Você me leva até a lua,
mas toda noite vem me buscar.

Mais perigoso, querido amigo,
é esse lugar 
onde eu me entrego inteira
e você segue inteiro em si.

Antes, eu te queria
como quem acende um fósforo
no escuro.

Hoje,
eu te guardo
como quem aprende
a não queimar 
a própria casa. 

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