Tirar os pés do chão
que onda grande se atravessa mergulhando".
Não dá pra fugir, nem passar por cima —
não se afasta a água com as mãos.
É preciso ir com ela, no fundo, sem se perder,
segurar a respiração (e o medo),
e deixar que o corpo saiba voltar à tona.
Não dá pra fugir, nem passar por cima —
não se afasta a água com as mãos.
É preciso ir com ela, no fundo, sem se perder,
segurar a respiração (e o medo),
e deixar que o corpo saiba voltar à tona.
Como andar de bicicleta:
é preciso tirar os pés do chão.
O equilíbrio vem do movimento,
não do pensamento.
E eu, que sempre estudei muito antes de agir,
me vejo diante da curva:
ou confio, ou fico parada —
segura, imóvel e sem vida.
E eu, que sempre estudei muito antes de agir,
me vejo diante da curva:
ou confio, ou fico parada —
segura, imóvel e sem vida.
Sim, tirar os pés do chão.
Mesmo com roteiros incertos,
sem garantia nenhuma,
mesmo com o risco da queda.
E ainda posso me culpar por cada arranhão causado,
cada curva imperfeita,
ou só por ter ousado o risco.
ou só por ter ousado o risco.
Mas a vida nunca pediu garantias —
ela pede gesto, presença,
escuta do vento,
águas salgadas (mar, suor e lágrimas),
e o compromisso de tentar
com toda essa delicadeza que me habita.
e o compromisso de tentar
com toda essa delicadeza que me habita.
"A água do rio nunca é a mesma"
Nem eu serei.
Mas hoje, me autorizo:
a remar, a pedalar, a mergulhar —
sem certezas,
mas com coragem.

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