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hipóteses

mas tudo não é uma resposta psicológica as demandas da falta que nos torna quem somos e como vivemos?

Tudo o que seja maior que o medo

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Às vezes o coração dispara não por amor, não por desejo, mas pelo anseio antigo de não ter onde cair de ninguém atender seu choro de se berçar sozinha. Há um eco no corpo, um lugar que se lembra de quando era perigoso precisar  de ajuda. O corpo grita: “Segure. Não solte. Não precise. Não esqueça." Hoje eu tento entender — isso foi verdade, mas não é mais! há chão dos caminhos que trilhei há abraço sempre a me encontrar, há casa quando eu preciso. E se o coração acelerar, que seja também pela alegria do encontro, pelo abrigo de uma escuta, pela certeza de que posso,  enfim, descansar  em meu próprio colo; respirar  dentro do meu próprio abraço; me (re)acolher inteira — e confiar no fluxo da vida: "Tudo que seja maior que o medo". 

Tirar os pés do chão

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" Aprendi com o mar, que onda grande se atravessa mergulhando ". Não dá pra fugir, nem passar por cima — não se afasta a água com as mãos. É preciso ir com ela, no fundo, sem se perder, segurar a respiração (e o medo), e deixar que o corpo saiba voltar à tona. Como andar de bicicleta: é preciso tirar os pés do chão. O equilíbrio vem do movimento, não do pensamento. E eu, que sempre estudei muito antes de agir, me vejo diante da curva: ou confio, ou fico parada — segura, imóvel e sem vida. Sim, tirar os pés do chão. Mesmo com roteiros incertos, sem garantia nenhuma, mesmo com o risco da queda. E ainda posso me culpar por cada arranhão causado, cada curva imperfeita, ou só por ter ousado o risco. Mas a vida nunca pediu garantias — ela pede gesto, presença, escuta do vento, águas salgadas (mar, suor e lágrimas), e o compromisso de tentar com toda essa delicadeza que me habita. " A água do rio nunca é a mesma " Nem eu serei. Mas hoje, me autorizo: a remar, a pedalar, a ...

Lau(del)ina

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Você me diz que não gosta do seu nome, Mas eu gosto tanto... Ina, minha menina, feito um sussurro de carinho, feito quem chama com doçura o que o mundo não aprendeu a acolher. Quando dizemos que o que aconteceu com a gente foi um encontro É porque não só não esperávamos,  mas porque nos fechamos No silêncio das dores, no intervalo entre o fim e o começo  de algo que parece ter vindo para curar. Minha companheira, que briga com o mundo, carrega-o nos ombros, como quem já segurou demais, mas comigo… se rende à calma, à pausa, ao afeto,  ao alento. Meu encontro, no momento exato em que precisei lembrar que ainda existia verdade no mundo. Minh’amor, você dorme no meu colo como se eu pudesse te proteger de tudo porque afinal é isso o amor: esse lugar onde enfim, podemos descansar.

Alento

do latim anhelĭtum : respiração, hálito, fôlego; força necessária para respirar, como o ar que oxigena os pulmões e revitaliza; alimenta, nutre, sustenta; inspira; dá ânimo, coragem e energia para conseguir levantar, caminhar, reerguer-se e construir novos modos de existir. (2021)

Palavras

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foto: arquivo pessoal - 2007   Amo palavras. Desde pequena. Lia até dicionário.  Ficava esperando o transporte da escola, só tinha dicionário na mochila, lia o dicionário.  Com o tempo fiquei buscando palavras com significados bonitos, poemas em dicionário.  Eu me riscava palavras no corpo com caneta. Palavras e frases que achava bonitas.  Achei lindo que fui trabalhar com uma tatuadora que só tatuava palavras nas pessoas.  Fui papel de várias.  Acaso , inclusive.

Liberdade

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Você diz que sou minha  antes de ser sua E sempre pergunta  se sinto falta de algo. Eu digo que tenho tudo,  o que preciso neste momento e reafirmamos nosso compromisso  com a sinceridade e a verdade.  Porque liberdade é bancar o próprio desejo,  é ter a ética de não mentir para si mesma  nem para o outro  e é sob essa ética que escolh(emos) viver.  Amor, minha metade misturada,  sempre há um querer que é só seu,  que é só meu,  e é isso que nos sustenta na vida; Quando re- tomo o meu corpo, ressignifico minhas marcas, e inscrevo, em mim, como quero viver. Amor, minha metade de Platão,  meu encontro, ninguém pode ter mais direitos  sobre o seu corpo do que você mesma. Não se empresta uma vida, não se encaixa — apenas se com- partilha, para con -viver. Amor, não tema me perder:  depois que nos achamos,  viramos lar uma da outra.

atrasado

agora, que você finalmente chegou, amor e me entregou o que eu quis tudo o que eu já fiz: passou, murchou, mudou. você atrasou, amor o amor.

vivre sa vie

eu não confio no mundo. não sei mais pular num abismo de olhos fechados sentindo o vento. me jogo, mas um olho está sempre apenas fingindo não ver. mesmo na felicidade mais linda, meus vinte e cinco anos de mágoas impregnaram tudo. é como aquela história do lençol branco e as mãos sujas de carvão. ou das marcas de prego na parede. mas teimo, viciantemente, sobrevivemente, acreditar, viver. e ver essa vida pelos olhos de outra pessoa é de uma... (sabe?) absurda. e se enganar e se iludir e se perder é tão comum. mas ver que existe um outro modo, que o outro lado é feito tão possivelmente leve, e real...: infla todo este vazio. e é impossível não se apaixonar de novo.

el secreto de sus ojos

"As pessoas podem mudar de tudo: de cara, de casa, de família... de namorada, religião, de Deus... Mas tem uma coisa que não pode se mudar, Benjamín... Não se pode trocar de paixão."

shiva

volta e meia quero destruir tudo, afastar tudo, acabar com o errado na minha vida. mas o errado e o certo ficam mudando de lugar.

fraude:

me vi num video hoje. como pode alguém tão estressada, metódica, explosível e tensa parecer tão delicada, leve, minúscula e frágil?

Depois do mundo vem o nada

Depois de cheio o copo, cada gota pode pôr muito a derramar E a gente só lembra do que é importante. Por que você não vai de uma vez?

saindo de casa

é que não sou tão forte assim e tenho medo de me sentir só e não-segura. é que não sou tão frágil assim e desejo meu espaço, minha liberdade, minha segurança.

ê vida

sério, volta e meia a vida me ensina que todos os parâmetros estão ali para serem quebrados, e os mais ridículos são os mais divertidos. 'nunca diga nunca' se prova um ótimo conselho.

levemente vazia

sei que gosto do seguro, do claro, que mesmo na dor sou agarrada à sinceridade; é minha forma de controle, é o que eu me permito como exigência para morar na mais possível paz.

pausa

. " ai nem, ai não, ai negaaaaa... aaah, solidãããoooun, foge que eu te encontro, que eu já tenho asas. isso lá é bom? doce solidão, ououú." .

reza

eu peço muito, todos os dias, a essa força que existe na vida, e que me faz não ter o controle de tudo o que quero ter: que me abra os olhos; que me faça escolher o melhor caminho para o que sou e quero ser, e consiga ter forças para manter meus ideais e vontades no meio de tanta intolerância e repressão no mundo, sem raiva, mágoa ou fraquezas, mas sempre aberta para o que for melhor. é minha oração quase diária, no fundo, para mim mesma, porque antes de qualquer coisa é em mim que preciso ter fé. já costumo acreditar em tanta coisa... é meu desejo imenso de paz para comigo, e então ser possivel de mim para com o mundo.

pitangas II

. saudade a gente mata ou deixa chorar até dormir? .

pitangas

. quero me despedir de você. e indo você embora de vez, irá contigo também a esperança, que ocupa muito espaço por aqui. depois, fingindo que você não existe mais, te escondo de mim. ponho um lençol amarelo por cima da lembrança da tua casa, da empada. te esqueço no meio da minha falsa felicidade que aos poucos se converterá, como eu sempre espero que seja. e me paro de te odiar. .