" Aprendi com o mar, que onda grande se atravessa mergulhando ". Não dá pra fugir, nem passar por cima — não se afasta a água com as mãos. É preciso ir com ela, no fundo, sem se perder, segurar a respiração (e o medo), e deixar que o corpo saiba voltar à tona. Como andar de bicicleta: é preciso tirar os pés do chão. O equilíbrio vem do movimento, não do pensamento. E eu, que sempre estudei muito antes de agir, me vejo diante da curva: ou confio, ou fico parada — segura, imóvel e sem vida. Sim, tirar os pés do chão. Mesmo com roteiros incertos, sem garantia nenhuma, mesmo com o risco da queda. E ainda posso me culpar por cada arranhão causado, cada curva imperfeita, ou só por ter ousado o risco. Mas a vida nunca pediu garantias — ela pede gesto, presença, escuta do vento, águas salgadas (mar, suor e lágrimas), e o compromisso de tentar com toda essa delicadeza que me habita. " A água do rio nunca é a mesma " Nem eu serei. Mas hoje, me autorizo: a remar, a pedalar, a ...